A Espanha chegou à Copa do Mundo de 2026 cheia de expectativas. Atual campeã da Eurocopa, a seleção era vista como uma das favoritas, com um time recheado de talentos. No entanto, a estreia não foi das melhores: um empate sem gols contra Cabo Verde trouxe à tona críticas que já tinham ecoado antes. A equipe era acusada de ter muita posse de bola, mas pouca objetividade.
Mas a resposta dos jogadores foi impressionante. Nas partidas seguintes, a Espanha se reencontrou, garantindo a classificação para as etapas eliminatórias e mostrando seu verdadeiro potencial. Na semifinal, enfrentou a França, que tinha o melhor ataque do torneio, e conseguiu eliminá-la com uma performance convincente.
Agora, a Espanha chega à final como favorita, mas o caminho até aqui não foi fácil. A campanha foi muito mais sólida do que a impressão deixada na estreia. A posse de bola, que sempre foi a marca registrada do futebol espanhol, agora serve para criar espaços e oportunidades.
Na segunda rodada, a vitória por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita e o triunfo por 3 a 0 contra a Áustria nas oitavas de final ilustraram essa evolução. A equipe não só controlou a posse, mas também foi agressiva, explorando os lados do campo e criando muitas chances. Isso mostra que a seleção aprendeu com as frustrações de Copas anteriores. O time ainda mantém seu estilo de jogo associativo, mas agora é mais eficaz ao transformar a posse em oportunidades claras de gol.
A grande mudança está na maneira como a posse de bola é utilizada. Antes, o foco era apenas controlar o jogo. Agora, o objetivo é desorganizar a defesa adversária e aproveitar os espaços criados. No jogo contra a Áustria, por exemplo, a Espanha teve 64% de posse e 90% de precisão nos passes. O mais impressionante foi o número de finalizações: 23 para a Espanha, contra apenas 5 do adversário.
Essa mudança também se reflete no meio-campo. Rodri continua sendo a peça central, mas agora conta com o apoio de Pedri, Fabián Ruíz e Dani Olmo. Eles fazem movimentações verticais, buscando receber o passe em posições que aceleram o jogo. Isso deixa os adversários em dúvida sobre como se posicionar, já que os jogadores espanhóis trocam constantemente de lugar.
Os laterais, que antes tinham um papel coadjuvante, agora se tornaram protagonistas. Marc Cucurella, por exemplo, tem se destacado pela sua presença no ataque, confundindo a defesa adversária com suas ultrapassagens. Ao lado dele, Alex Baena também se destaca, criando espaço e ajudando no ataque. Pedro Porro, do lado direito, tem feito o mesmo, aproveitando os espaços para finalizar e marcar gols.
Outro ponto importante é o crescimento de Mikel Oyarzabal. Ele tem se mostrado uma referência no ataque, ocupando a área e aproveitando cruzamentos. Com cinco gols até agora, Oyarzabal tem sido fundamental para a transformação do domínio em resultados concretos.
Além disso, a maturidade coletiva da equipe é um dos grandes avanços. Em Copas anteriores, a Espanha dominava a posse, mas não conseguia furar defesas bem montadas e acabava eliminada. Luis de la Fuente parece ter aprendido com os erros do passado. Sua equipe continua controlando os jogos, mas agora também é capaz de alternar entre velocidade e jogadas mais trabalhadas, fazendo transições rápidas e explorando os lados do campo.
A estreia complicada serviu como um alerta, um empurrão que a Espanha precisava. As críticas duraram pouco, pois a evolução foi rápida e visível, especialmente na vitória sobre a França, que era a grande favorita. A seleção espanhola se mostrou resiliente, e agora está pronta para lutar pelo título.