Não sou do tipo que adota a ideia de que todo brasileiro precisa torcer contra a Argentina. Afinal, tem uma lógica por trás disso. Eu já deixei claro que meu interesse pela seleção brasileira diminuiu, especialmente porque percebo que ela perdeu um pouco da sua essência, se deixando levar por cartolas e interesses diversos. Pagar 1 milhão de euros por mês a um treinador que não valoriza a posse de bola? Parece um pouco contraditório, não é? A rivalidade no futebol, na verdade, deveria ser sobre preservar o que é puro e verdadeiro, e não sobre sofrer em frente à TV sem um motivo real.
Mas, falando sobre o jogo da Copa do Mundo de 2026, confesso que fiquei contente com a vitória da Espanha. Não sou de vincular minhas opiniões apenas a números, pois o futebol é cheio de surpresas. No entanto, às vezes, as estatísticas ajudam a entender o que aconteceu em campo. Por exemplo, a Argentina fez apenas um chute ao gol, enquanto a Espanha teve 22 tentativas, sendo que só não goleou por causa do grande desempenho do goleiro Dibu Martínez. O placar de 1 a 0, com o gol de Ferran Torres nos últimos momentos da prorrogação, pode parecer simples, mas na verdade, foi uma vitória com um peso enorme.
O legado deixado por Johan Cruyff no futebol é algo admirável. Mesmo após dez anos de sua morte, ele continua a mostrar que o futebol pode ser simples, desde que siga alguns princípios básicos. E a Espanha, com sua forma de jogar, fez questão de mostrar que o poder do coletivo é insuperável. Eles derrubaram o mito do individualismo e mostraram que, quando a equipe joga unida, respeitando a posse de bola e ocupando os espaços corretamente, o resultado pode ser impressionante. Claro, é possível perder, como a Espanha fez desde 2014, mas também é possível voltar a vencer, como já aconteceu com a Eurocopa e agora com a Copa do Mundo.
O sistema de jogo da Espanha é fascinante. Jogadores como Cubarsí e Laporte na defesa, com Rodri, Olmo e Pedri no meio-campo, e Lamine Yamal, Nico Williams e Ferran Torres no ataque, formam um time que se sacrifica pela disciplina, mas que ainda mantém a beleza do jogo. É tão bem estruturado que até mesmo um gênio como Messi não conseguiu brilhar contra essa estratégia. A Argentina, por outro lado, não deixou um bom exemplo como campeã. Ganhar apenas pela força física, às vezes confundida com um jogo agressivo e até sujo, e depender de um jogador excepcional como Messi, não traz lições valiosas.
Na verdade, a única seleção que, em uma final de Copa do Mundo, controlou um adversário com tanta autoridade como a Espanha fez com a Argentina foi o Brasil, em 1970, no México. A maneira como a Espanha conquistou o título trouxe uma nova autoestima para quem realmente ama o futebol.