A Uefa fez um anúncio importante nesta quinta-feira (30): se a Fifa seguir em frente com seus planos de vender participações da Copa do Mundo para investidores privados, a Uefa não apoiará suas competições. Essa decisão foi tomada em uma reunião virtual entre as 55 federações que fazem parte da entidade.
Em um comunicado, a Uefa deixou claro que nenhuma seleção europeia participará de qualquer torneio da Fifa enquanto essas propostas estiverem ativas. Eles exigem garantias de que a Fifa não abrirá suas competições para a propriedade privada. A Uefa reforçou que o Mundial não é um produto à venda e que seu valor vai muito além de um mero investimento financeiro. Para eles, a Copa do Mundo é um legado construído ao longo de gerações, repleto de histórias e emoções de jogadores, seleções e torcedores.
A Fifa, por sua vez, confirmou que está planejando vender uma participação por meio da criação de uma nova entidade sem fins lucrativos, que ficará responsável por administrar seus principais eventos, como as Copas do Mundo e os Mundiais de Clubes. Essa nova organização, chamada Fifa Forward Enterprises (FFE), poderia permitir que investidores externos comprassem participação. Se a proposta for aprovada, a Fifa manteria uma parte majoritária da nova entidade, mas ainda assim, muitos estão preocupados com a mudança.
O objetivo da Fifa é arrecadar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 17,5 bilhões) com a venda de até 21% da FFE. Os recursos seriam distribuídos rapidamente entre as federações associadas. Gianni Infantino, presidente da Fifa, enviou uma carta a todas as 211 federações, prometendo um pagamento inicial de US$ 40 milhões (cerca de R$ 203 milhões) para aquelas que apoiarem seus planos. Contudo, essa iniciativa gerou críticas, com a Uefa acusando a Fifa de se aproveitar do futebol para enriquecer a si mesma e a seus aliados.
Para que esse plano se concretize, é necessário o aval das federações membros e do Conselho da Fifa, que inclui Infantino e outros dirigentes. O clima está tenso, especialmente com a próxima Copa do Mundo feminina marcada para junho de 2027 no Brasil, seguida pela masculina em 2030, que será realizada em uma parceria entre Espanha, Portugal e Marrocos.
Enquanto isso, os planos da Fifa enfrentam resistência. O ex-presidente da entidade, Sepp Blatter, e o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, também expressaram suas preocupações. A Concacaf, por exemplo, criticou a falta de consultas apropriadas sobre as propostas, enquanto a Confederação Asiática se disse desapontada por não ter tido a chance de discutir o assunto antes de sua divulgação.
Por outro lado, a Uefa está em busca de um nome forte para concorrer com Infantino na próxima eleição para a presidência da Fifa, prevista para março de 2027. Nasser Al-Khelaifi, atual presidente do Paris Saint-Germain, é visto como uma boa opção, embora ele tenha declarado que não tem interesse em assumir esse cargo. Assim, o cenário está se desenhando e promete muitas discussões nos próximos meses.