A seleção brasileira teve uma ótima performance ao vencer o Haiti por 3 a 0 na última sexta-feira, dia 19. Esse resultado foi uma resposta positiva após o empate na estreia contra o Marrocos, e já trouxe algumas mudanças no estilo de jogo da equipe comandada por Carlo Ancelotti.
Na estreia, o Brasil parecia estar um pouco perdido em campo, jogando com um esquema 4-2-3-1 que não funcionou bem. Mas contra o Haiti, a equipe se reencontrou em um 4-3-3 mais tradicional, com uma abordagem muito mais ofensiva. Enquanto no primeiro jogo o time tentava contornar a defesa marroquina, agora o foco estava em atacar diretamente a defesa adversária.
A Dominância do Meio de Campo
O jogo contra o Haiti mostrou como a seleção se impôs no meio de campo. Após algumas dificuldades na partida anterior, o Brasil conseguiu ser mais agressivo. Pelos números, o time de Ancelotti conseguiu 105 passes que romperam a linha defensiva do Haiti, um aumento considerável em relação aos 89 contra o Marrocos. Isso demonstra uma mudança significativa na estratégia de ataque, onde os jogadores buscaram mais a profundidade e tentativas de passes que furavam as linhas adversárias.
Na partida, os atletas mostraram um desempenho individual impressionante. Por exemplo, Marquinhos teve um aumento considerável em suas tentativas de quebrar a linha defensiva, passando de 9 para 22. Outros jogadores também se destacaram, como Gabriel Magalhães, Casemiro e Bruno Guimarães, que aumentaram suas tentativas de passes decisivos.
Ofertas de Passe e Movimentação
Outra estatística interessante foi o número de ofertas de passe. Essas são as jogadas em que um jogador se coloca como opção para receber a bola. Contra o Marrocos, Vinicius Júnior foi o que mais se ofereceu, mas contra o Haiti, Bruno Guimarães assumiu esse papel. Ele teve 77 ofertas, enquanto Vinicius ficou com 61. Essa mudança indica uma preferência da equipe em jogar mais pelo meio, com maior movimentação entre as linhas.
A forma como os jogadores se apresentaram para receber a bola também foi diferente. Na estreia, a maioria das movimentações era de frente para a bola. Já no jogo contra o Haiti, 63% das jogadas ocorreram entrelinhas ou nas costas da defesa, o que demonstra uma postura mais agressiva e criativa.
Defesa e Postura Tática
Um dos pontos que gerava preocupação na equipe de Ancelotti era a inconstância defensiva, especialmente durante a pressão alta. No jogo contra o Marrocos, o Brasil ficou exposto, levando um gol devido a essa fragilidade. Porém, contra o Haiti, a estratégia defensiva mudou. A seleção permitiu que o adversário tentasse construir jogadas, pressionando principalmente quando os haitianos tentavam atacar por dentro.
Com essa nova abordagem, o Brasil passou 51% do tempo em um bloco médio ou baixo, o que ajudou na recuperação de bolas. Casemiro, por exemplo, teve 13 recuperações, bem mais do que as quatro que conseguiu na estreia. Essa mudança tática parece ter trazido mais segurança para a defesa da seleção.
O jogo contra o Haiti, embora contra um adversário considerado mais fraco, trouxe à tona uma identidade mais clara para a seleção. Agora, a expectativa é saber se essa nova postura se manterá ao longo da Copa do Mundo.