Brasil se tornaria um time argentino com a entrada de Neymar?

Neymar está de volta! Depois de mais de um mês afastado dos gramados, o craque está liberado para jogar pela seleção brasileira. Ele poderá ter alguns minutos em campo contra a Escócia, na próxima quarta-feira (24), fechando a fase de grupos da Copa do Mundo sob a orientação de Carlo Ancelotti. Embora não comece como titular, a expectativa é que ele entre e faça a diferença.

Neymar já participou de três dias de treinamentos normais com o restante do grupo. Isso levanta algumas questões: como será a sua posição em campo? Quem precisará sair para dar lugar a ele? E, mais importante, como a equipe mudará com a sua entrada?

### O Papel de Neymar na Seleção

Ancelotti convocou Neymar em maio, e isso deixou claro que o treinador tem planos específicos para ele. A ideia do técnico é usar um esquema 4-3-3, que já foi testado antes, mas que foi trocado por uma formação mais criativa. Com a ausência de Rodrygo e Estêvão, a seleção voltou a essa configuração, especialmente no último jogo contra a Croácia, que mostrou resultados melhores.

Na estreia da Copa, Igor Thiago ocupou a vaga de Matheus Cunha como centroavante, mas essa mudança não trouxe os resultados esperados, já que o Brasil teve dificuldades em criar jogadas. Foi só no jogo contra o Haiti que Ancelotti ajustou o time de volta para o 4-3-3, com Cunha funcionando como um falso nove, o que fez o time fluir melhor e explorar os espaços em profundidade.

### A Conexão Entre os Jogadores

Neymar pode assumir o papel que era de Cunha, brigando pela posição de centroavante. O que é interessante é que Cunha também pode atuar como um meia nesse esquema, o que não necessariamente o tornaria um reserva caso Neymar entre no time. Por exemplo, o Paquetá poderia perder a vaga, mas ele e Neymar têm uma conexão especial, como já vimos em outras partidas.

Essa interação entre os jogadores é fundamental. No futebol, essa conexão íntima entre os atletas é chamada de “vantagem sócio-afetiva”. Isso significa que, quando os jogadores se entendem bem, conseguem se movimentar e criar jogadas de forma mais fluida. Se o Brasil conseguir estabelecer essa dinâmica, pode se assemelhar a um time argentino, que já mostrou essa capacidade em campo.

### O Estilo de Jogo do Brasil

Analisando a partida contra o Haiti, é possível ver duas interpretações para o esquema tático: um 4-3-3 clássico, com Cunha como falso nove, ou um losango 4-1-2-1-2, onde Cunha poderia atuar como um camisa 10. O que define essa dinâmica é a movimentação dos pontas e como Cunha se posiciona em campo. No jogo, Cunha descia para criar jogadas e desorganizar a defesa adversária, oferecendo oportunidades para seus companheiros.

Com Neymar, o Brasil pode seguir um caminho semelhante ao da Argentina, priorizando jogadas por dentro e utilizando o talento do camisa 10. A ideia é criar um ambiente onde os meias, como Paquetá e Bruno Guimarães, possam progredir com passes e dribles, liberando espaço para os atacantes explorarem.

### Possibilidades Táticas

Ter Neymar em campo não garante que essa formação será a escolhida. Ancelotti pode optar por diferentes esquemas, como colocar Neymar como um 10 em um 4-2-3-1, ou até mesmo experimentar uma nova versão do 4-2-4. O potencial para retornar àquela formação inicial existe, e isso poderia trazer à seleção uma proposta de jogo mais interiorizada, com jogadores se movimentando e se entendendo bem.

Fica a expectativa sobre qual será a escolha de Ancelotti e como Neymar se encaixará nesse quebra-cabeça tático. A torcida está ansiosa para ver como a seleção vai se comportar com a volta do craque.

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João Ribeiro