Alemanha estende crise do ciclo pós-2014 e gera preocupações

A Alemanha voltou a um mata-mata de Copa do Mundo pela primeira vez desde 2014, mas a alegria durou pouco. A seleção tetracampeã foi eliminada pelo Paraguai nos pênaltis, em um jogo disputado em Boston, e isso trouxe à tona uma discussão que já se arrasta há anos: a questão é apenas circunstancial ou algo mais profundo na estrutura do futebol alemão?

Antes da partida, a pressão sobre o técnico Julian Nagelsmann já era palpável, e agora, ela só tende a aumentar. A derrota não foi para uma grande potência do futebol, mas sim contra um adversário que seguiu à risca seu plano de jogo. A Alemanha teve mais posse de bola e controlou o jogo em muitos momentos, mas, mais uma vez, não conseguiu transformar esse domínio em efetividade.

A trajetória da seleção nessa Copa do Mundo gerou algumas expectativas. O início arrasador, com uma vitória de 7 a 1 sobre Curaçao, animou os torcedores, mas logo surgiram sinais de alerta. A vitória apertada de 2 a 1 sobre a Costa do Marfim já mostrava dificuldades em lidar com um adversário mais organizado. E a derrota para o Equador expôs falhas na defesa, aumentando a pressão sobre Nagelsmann. No jogo contra o Paraguai, todas essas inseguranças voltaram à tona.

Dificuldade em transformar a posse em efetividade

Um dos aspectos que mais chamou a atenção ao longo da competição foi a dificuldade da Alemanha em converter sua qualidade técnica em resultados práticos. A equipe parecia confortável com a bola, mas a posse se tornou previsível e sem profundidade. Durante os quase 120 minutos de jogo contra o Paraguai, ficou claro que a seleção não soube acelerar o jogo e desorganizar a defesa adversária.

O time paraguaio, sob a direção de Gustavo Alfaro, conseguiu fechar os espaços e esperou os erros da Alemanha. Por sua vez, a seleção de Nagelsmann insistiu em uma circulação lenta e previsível, com poucas infiltrações e uma dependência excessiva de cruzamentos. Essas dificuldades não foram exclusivas desse jogo; a Alemanha já havia enfrentado problemas semelhantes em outras partidas da Copa.

Nagelsmann sob pressão

Julian Nagelsmann chegou à seleção com uma grande expectativa. Considerado um dos treinadores mais promissores da sua geração, ele tinha a missão de modernizar a equipe e recolocá-la entre os grandes do futebol mundial. Em alguns momentos, a seleção apresentou um futebol interessante e organizado, mas a Copa mostrou que ainda há uma distância significativa entre controlar o jogo e vencer partidas decisivas.

A eliminação contra o Paraguai não deve ser vista como um mero acidente. Ela acentua um debate que já existia e traz uma pressão maior sobre o trabalho de Nagelsmann. O que preocupa não é só o resultado, mas a repetição de falhas. A equipe teve dificuldades em lidar com adversários que jogavam de forma reativa e compacta. O time careceu de velocidade na circulação da bola, criatividade para abrir espaços e eficácia para transformar a posse em chances claras de gol. Em torneios curtos, essas limitações podem ser fatais, e mais uma vez, isso se confirmou.

O contraste com a seleção campeã de 2014 é inevitável. Aquela equipe conseguia variar o ritmo de jogo, pressionar logo após perder a bola e criar várias alternativas de ataque. A atual seleção, apesar de ter jogadores talentosos, ainda parece depender muito do controle territorial, sem conseguir converter esse domínio em vantagem real.

A eliminação diante do Paraguai não apaga o potencial desta geração jovem, mas deixa claro que só talento não é suficiente. O torneio expôs fraquezas que a Alemanha vem enfrentando há anos, e que ainda não têm uma solução clara. Para um país que sempre foi sinônimo de regularidade e sucesso no futebol, essa terceira campanha consecutiva abaixo das expectativas acentua a sensação de que a reconstrução ainda está longe de ser concluída. Após mais uma eliminação frustrante, fica claro que Nagelsmann será um dos principais alvos das críticas.

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João Ribeiro