Athletico enfrenta tensão na base e conflitos internos

No CT do Caju, o clima está tenso. A gestão das categorias de base do Athletico, sob a batuta do presidente Mario Celso Petraglia, enfrenta desafios, especialmente com Jorge Raffo, que foi contratado no início do ano para reformular a base do clube. Recentemente, houve momentos de desconforto, e Raffo chegou a se oferecer para deixar o cargo. Essa situação vem gerando burburinho nos bastidores, segundo informações.

As divergências nas abordagens que Raffo implementou têm criado tensões, tanto entre os atletas quanto com outras pessoas envolvidas na gestão. Um dos principais pontos de atrito é com Ana Lúcia Petraglia, filha do presidente e responsável pela escola de inglês no CT. Enquanto Raffo foca em novas metodologias e horários para o futebol, Ana insiste nas aulas de inglês para os jovens atletas.

Apesar da tensão, o presidente Petraglia decidiu apoiar Raffo, assegurando que o projeto de formação de novos talentos seguirá sob sua coordenação. Mesmo assim, o ambiente continua instável.

As negociações recentes de jovens como Sorriso e Wallace, que estava emprestado ao Avaí, refletem esse clima de incerteza. É possível que outras promessas do sub-20 também busquem novos caminhos, incomodadas pelas mudanças nas metodologias do clube. Por outro lado, o time sub-17 está mais protegido, tendo conquistado a Copa do Brasil, o que é um destaque na trajetória da base do Athletico. Esses títulos são um ponto positivo para Raffo, que busca a aceitação da diretoria nesse início de sua jornada.

### Quem é Jorge Raffo?

Jorge Oscar Raffo Hoffmeister, conhecido como Jorge Raffo ou “Coqui”, foi escolhido por Petraglia para liderar a base do Athletico após a saída de Marildo Campos. Com uma carreira sólida no futebol internacional, Raffo tem um sonho em comum com o presidente: desenvolver as promessas do clube. Ele chegou a comparar a Arena da Baixada com a famosa Bombonera, onde o Boca Juniors joga.

O foco de Raffo é unir sua metodologia com a cultura do clube, e ele defende a recuperação do que chama de “espírito sul-americano”, uma ênfase na criatividade e habilidade dos atletas. Antes de chegar ao Athletico, Raffo foi diretor geral do CEFAR, em Buenos Aires, e coordenador técnico da Barça Academy na Argentina. Isso ocorreu durante o início da carreira de Lionel Messi no Barcelona, onde ele precisou adaptar a filosofia do clube espanhol à realidade sul-americana.

Entre 2011 e 2017, Raffo assumiu a direção da base do Boca Juniors, onde foi responsável por formar jogadores que hoje brilham no futebol, como Rodrigo Bentancur, do Tottenham, e Valentín Barco, que atualmente joga na França. Depois, passou a trabalhar no Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, onde desenvolveu currículos técnicos para as categorias de base.

Recentemente, antes de se juntar ao Athletico, Raffo fez história no Elche, na Espanha, levando a academia do clube a um destaque significativo no cenário futebolístico. Seu trabalho chamou a atenção de grandes nomes do futebol, como Ferrán Soriano, do Manchester City, e ele acabou assumindo cargos em clubes do grupo City, participando do desenvolvimento de metodologias em várias academias.

Atualmente, no Athletico, Raffo enfrenta desafios, mas continua focado em transformar a base rubro-negra em um celeiro de talentos, mesmo que isso signifique navegar por águas turbulentas nos bastidores.

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João Ribeiro