Luis de la Fuente assumiu a seleção espanhola com uma missão clara: trazer de volta a essência que fez a Espanha brilhar na Copa do Mundo de 2010. Desde aquela final na África do Sul, onde a Fúria venceu os Países Baixos por 1 a 0, a equipe enfrentou um longo período sem triunfos em mata-matas, ficando 16 anos sem passar das oitavas de final de um Mundial.
A mudança começou com de la Fuente, escolhido pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) depois de um bom trabalho nas categorias de base. Em 2021, ele levou a seleção olímpica a uma medalha de prata em Tóquio, perdendo apenas para o Brasil na decisão. Agora, cinco anos depois, ele repetiu o feito de Vicente del Bosque ao levar a Espanha de volta à final do Mundial. E não é só isso: a seleção de 2026 tem características que lembram a equipe que conquistou o mundo pela primeira vez, destacando-se não apenas pelo ataque, mas principalmente pela solidez defensiva. Em sete jogos até a final, a Espanha sofreu apenas um gol.
### Os Desafios da Defesa
Desde o título de 2010, a Espanha entrou em competições com certo favoritismo, mas não conseguiu manter o mesmo nível. Na Eurocopa de 2012, ainda sob o comando de Del Bosque, a seleção foi campeã, mas na Copa do Mundo de 2014, a situação mudou. A defesa se tornou um problema recorrente, e a dificuldade em transformar a posse de bola em gols também pesou nos resultados.
No Mundial de 2014, por exemplo, a equipe sofreu sete gols em três jogos e foi eliminada na fase de grupos. Em 2018, a história se repetiu: avançou até as oitavas, mas foi eliminada pela Rússia nos pênaltis, mesmo com um jogo em que trocou mais de mil passes. Em 2022, a eliminação também veio nos pênaltis, desta vez contra Marrocos, após sofrer três gols durante a competição.
### A Nova Era com De La Fuente
O trabalho de de la Fuente trouxe uma nova dinâmica para a seleção. A equipe não encanta tanto quanto a França, mas consegue vencer. Na defesa que enfrentou Marrocos em 2022, apenas dois jogadores foram mantidos, e o restante da linha defensiva foi renovado. Jogadores como Marc Cucurella e Pedro Porro foram incorporados, e Pau Cubarsí, uma revelação do Barcelona, se juntou a eles.
Um detalhe curioso é que, mesmo com a ausência de Dean Huijsen, do Real Madrid, a Espanha não sentiu falta dele em campo. O único gol que a seleção sofreu nas quartas de final, contra a Bélgica, foi em uma vitória apertada de 2 a 1. Na fase de grupos, mesmo em um jogo complicado contra Cabo Verde, a equipe saiu com um empate sem gols.
### Comparação com 2010
A trajetória da Espanha em 2010 foi marcada por um desempenho ofensivo e defensivo sólido. A seleção marcou em seis dos sete jogos, e Iker Casillas foi vazado apenas duas vezes. Agora, com de la Fuente, a equipe se destaca novamente pela solidez defensiva, já tendo igualado o feito da Itália de 2006, que também sofreu apenas um gol até chegar à final.
Além de defender bem, a Espanha tem se mostrado eficaz na criação de chances, acumulando quase 15 gols esperados (xG) até a final. A estratégia envolve um controle da posse de bola, evitando que os adversários tenham oportunidades perto da sua área. Com cinco jogadores no meio-campo, a equipe se aproxima do adversário com um senso coletivo invejável.
De la Fuente expressou seu orgulho ao ver a união do grupo: “É o auge do orgulho sermos os arquitetos da alegria de um país que saiu às ruas, apoiado por uma geração excepcional de jogadores que demonstram uma atitude verdadeiramente louvável.” Lamine Yamal e Pedri são exemplos de jogadores que se doam em campo, mostrando que a equipe está em sintonia.
Além do sucesso na Copa do Mundo, o trabalho de de la Fuente também rendeu frutos com a conquista da Eurocopa em 2024 e duas finais consecutivas da Liga das Nações. Agora, ele busca igualar o maior feito da história da seleção no MetLife Stadium, em 19 de julho.