Na mais recente Copa do Mundo, a Espanha fez história ao vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, conquistando o título em uma competição que muitos consideram a mais emocionante de todos os tempos. Embora a estrela da Argentina, Lionel Messi, tenha brilhado durante todo o torneio, o que se destacou mesmo foi o trabalho em equipe da seleção espanhola, sob o comando de Luis de la Fuente. O colunista da Trivela, Tim Vickery, apontou que essa vitória é um reflexo do projeto que vem sendo desenvolvido pela Espanha nas últimas décadas.
Durante o programa “Copa em Contexto”, Vickery analisou o controle que a Espanha teve sobre a partida, evitando que os argentinos finalizassem ao longo do jogo, até mesmo na prorrogação. Isso se deu pela excelente posse de bola e pelos passes precisos da equipe. Para ele, a Espanha não é apenas uma potência do futebol, mas sim uma expressão de uma ideia de jogo que se consolidou ao longo dos últimos 30 anos.
Ele comentou sobre a transformação do estilo de jogo espanhol, que deixou para trás a imagem da “Fúria”. Vickery descreveu esse time como “o anti-Fúria”, ressaltando sua frieza e inteligência em campo. Embora a equipe às vezes tenha dificuldades para converter a posse de bola em gols, a força do coletivo é inegável.
Desde o início do século XXI, o futebol espanhol se voltou para dentro, buscando se entender melhor. O papel de Johan Cruyff, que deixou sua marca no Barcelona, foi fundamental nessa jornada. A filosofia de Cruyff, que defendia que “se você tem a bola, o adversário não pode marcar”, influenciou a formação de jogadores em La Masia, a famosa academia do clube, focando em meio-campistas habilidosos e com bom entendimento de jogo.
Essa mudança de mentalidade foi continuada por treinadores como Luis Aragonés, Vicente del Bosque e Luis Enrique, que perpetuaram esse estilo na seleção. Luis de la Fuente, que começou sua trajetória no comando da seleção sub-19 em 2013 e chegou ao time principal em 2022, seguiu essa linha, mantendo a receita de sucesso.
A diversidade cultural da Espanha também se reflete em seu futebol. O país, com suas várias línguas e características regionais, conseguiu unir todos em torno de um propósito coletivo, algo que se traduziu em conquistas importantes, como três Eurocopas e dois Mundiais.
Recentemente, Rodri foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo, um reconhecimento ao talento que a Espanha tem cultivado, especialmente no meio-campo. Vickery concluiu que a capacidade da Espanha de formar jogadores com essa visão de jogo é um verdadeiro triunfo de uma ideia, algo digno de celebração.