Prorrogação, decisão por pênaltis e… gol de ouro. Até 2002, essa era uma das formas de resolver uma partida de mata-mata na Copa do Mundo, caso o jogo seguisse empatado após os 90 minutos. O primeiro gol durante a prorrogação, não importava em que minuto fosse marcado, encerrava a disputa. Porém, essa regra foi abolida em 2006. O gol de ouro foi utilizado nas Copas de 1998 e 2002 e foi responsável por garantir à França a classificação para as quartas de final contra o Paraguai, em um jogo que terminou sem gols no tempo normal. Essa foi a estreia do gol de ouro em uma Copa do Mundo.
A regra do gol de ouro foi aprovada pela International Football Board Association (Ifab) e começou a valer pela Fifa em 1993, tendo sua primeira aplicação no Mundial da França. Mas, antes disso, já tinha sido testada em 1996 na Eurocopa. As competições tinham a liberdade de decidir se iriam ou não utilizar esse critério nas partidas de mata-mata. Em 2003, depois de ser usada em duas Copas do Mundo e até decidir a final da Eurocopa de 2000 entre França e Itália, a Ifab decidiu abolir a regra. Na Copa do Mundo de 2006, as partidas de mata-mata voltaram a ser decididas por uma prorrogação de 30 minutos, que pode ser seguida por pênaltis se o empate persistir.
Por que a regra do gol de ouro foi criada?
Curiosamente, o conceito de gol de ouro não começou na Copa do Mundo. O primeiro registro remonta a 1868, durante a Cromwell Cup, onde o Sheffield Wednesday venceu por 1 a 0. A ideia da Fifa era incentivar o ataque durante a prorrogação, evitando que a decisão fosse sempre para os pênaltis. No início, essa regra era chamada de “morte súbita”, mas foi alterada para “gol de ouro” entre 1993 e 2003. Outros torneios, como os Jogos Olímpicos e a Taça da Uefa, também adotaram essa forma de desempate.
No entanto, o Brasil não teve experiências marcantes com o gol de ouro nas Copas do Mundo, mas na Olimpíada, enfrentou eliminações em 1996 e 2000, justamente por ter sofrido gols na prorrogação. Quando um gol de ouro era marcado, a partida acabava na hora, independente do tempo restante. A Uefa até chegou a criar o “gol de prata” em 2002, que era uma versão mais suave da regra, onde um time precisava manter a vantagem até o fim da primeira parte da prorrogação.
Por que a regra do gol de ouro foi abolida?
A decisão de acabar com o gol de ouro não foi unânime. Enquanto alguns torcedores e dirigentes achavam que a regra valorizava o ataque, outros consideravam injusto que a equipe que levou o gol não tivesse a chance de buscar a reação. Além disso, a análise feita pela Ifab em 2003 apontou que, após a introdução da regra, os times passaram a jogar de forma mais defensiva, com medo de serem eliminados antes da disputa de pênaltis. Marcos, o goleiro que ajudou o Brasil a conquistar o título mundial em 2002, chegou a dizer que essa regra foi uma das piores invenções do futebol.
Ao todo, três partidas em Copas do Mundo foram decididas por gol de ouro: França 1 x 0 Paraguai (oitavas de final em 1998), Senegal 2 x 1 Suécia (oitavas de final em 2002) e Coreia do Sul 2 x 1 Itália (oitavas de final em 2002). O último gol de ouro da história das Copas foi marcado por Ilhan Mansiz, da Turquia, aos quatro minutos da prorrogação contra Senegal. Ele mesmo comentou que essa regra dividia opiniões: “Creio que todos amaram ou odiaram o gol de ouro, e não é preciso adivinhar em qual grupo eu me encaixo”.
Durante o tempo em que a regra esteve em vigor, a disputa por pênaltis não foi eliminada. Em 1998, três das quatro partidas que foram para a prorrogação foram decididas nas penalidades, assim como dois dos cinco confrontos em 2002.