Lições que Brasil pode tirar de Espanha e Argentina na final

Neste domingo, 19 de novembro, a Espanha e a Argentina vão se enfrentar na final da Copa do Mundo, que acontece no MetLife Stadium. Milhões de fãs ao redor do mundo vão acompanhar cada lance dessa partida emocionante. Para o Brasil, que teve uma eliminação precoce nas oitavas de final contra a Noruega, o jogo pode ser uma boa oportunidade para refletir sobre as lições que a Seleção pode tirar dos finalistas.

Durante o torneio, a seleção espanhola mostrou uma evolução notável. Começou com um empate sem gols contra Cabo Verde e avançou até uma vitória impressionante por 2 a 0 sobre a França na semifinal. A Argentina, atual campeã, também enfrentou desafios, mas superou adversários considerados mais fracos, como Egito e Suíça, para garantir sua vaga na decisão em busca do segundo título consecutivo.

O técnico Carlo Ancelotti teve apenas um ano para trabalhar com a Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo. Ele encontrou a formação ideal apenas no jogo contra o Japão, sendo essa a única partida em que repetiu a escalação desde que assumiu o cargo. Depois da eliminação para a Noruega, Ancelotti decidiu tirar um tempo para si no Canadá, mas vai acompanhar o grande duelo à distância.

### A Defesa da Seleção Espanhola

Um dos pontos que chamou a atenção durante a Copa foi a defesa da Espanha. Ancelotti se concentrou em aprimorar esse aspecto, acreditando que o ataque estava em boas mãos com jogadores talentosos como Vinicius Júnior e Bruno Guimarães. Porém, o Brasil acabou sofrendo com falhas defensivas, cedendo muitos espaços em campo. Na estreia, o time foi vazado por Marrocos e também teve problemas em jogos contra Japão e Noruega. Os erros, em sua maioria, foram individuais e o esquema tático não conseguiu corrigir essas falhas.

Um exemplo claro foi a atuação de Erling Haaland, que marcou dois gols nas oitavas de final. A defesa brasileira, especialmente pelo lado direito, enfrentou dificuldades e ficou desorganizada em momentos cruciais. Ao longo da Copa, o Brasil jogou nove partidas e foi vazado em sete delas, o que é um número preocupante.

Por outro lado, a defesa da Espanha, sob o comando de Luis de la Fuente, se destacou. Com apenas um gol sofrido na competição, a equipe mostrou solidez, especialmente no jogo contra a França, onde Unai Simón foi pouco exigido. De la Fuente aposentou alguns jogadores que participaram do Mundial anterior e conseguiu montar uma defesa eficiente, aliando um bom sistema defensivo com a participação ativa dos laterais.

### A Base da Seleção Espanhola

De la Fuente não foi escolhido por acaso para liderar a Espanha. Ele já tinha uma trajetória nas categorias de base e levou a seleção a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio. A continuidade do trabalho nas categorias de base ajudou a manter o entrosamento da equipe, o que se refletiu no bom desempenho na Eurocopa de 2024 e agora na final da Copa do Mundo, algo que não acontecia desde 2010.

A maioria dos jogadores que estão brilhando na seleção principal já se conhecem há muito tempo, o que é um diferencial. O técnico conseguiu criar um grupo coeso e competitivo, com um futebol moderno que traz à mente as melhores épocas do esporte.

### A Liderança de Messi na Argentina

Se a Espanha se destaca pela defesa, a Argentina brilha pela capacidade de entrega de seus jogadores, especialmente pelo ícone Lionel Messi. Desde a chegada de Lionel Scaloni em 2019, o time se uniu em torno do camisa 10. Isso resultou na conquista de títulos importantes, como a Copa América em 2021 e 2024, além da Copa do Mundo em 2022.

Curiosamente, Messi é um dos jogadores que menos corre em campo, principalmente nesta Copa. Aos 39 anos, ele se preserva para atacar quando é necessário, e tem sido fundamental na criação de jogadas. Com oito gols e quatro assistências, ele tem sido um verdadeiro maestro da equipe.

Os jogadores argentinos expressam um apoio incondicional a Messi. Eles afirmam que dariam tudo por ele, o que demonstra a paixão e a força do grupo. Essa entrega se reflete nas estatísticas: 12 dos 19 gols da Argentina nesta Copa foram marcados após os 30 minutos do segundo tempo ou na prorrogação, mostrando que a equipe tem um ímpeto incrível nos momentos finais.

### Um Olhar para o Futuro

A garra da Argentina pode servir de exemplo para o Brasil. Enquanto a Argentina mostrou resiliência, a Seleção Brasileira não conseguiu reagir após sofrer gols, como aconteceu na partida contra a Noruega. As diferenças no desempenho físico e na entrega dos jogadores são notáveis e podem indicar caminhos a serem explorados nos próximos ciclos.

Afinal, o futebol é uma combinação de talento, tática e, principalmente, determinação. A final entre Espanha e Argentina promete ser um espetáculo à parte, cheio de lições e inspirações para todos os amantes do esporte.

Sobre o Autor

João Ribeiro