Técnico da Espanha compara conquistas da Copa e da Euro

A Espanha ainda está em clima de festa com o título da Copa do Mundo, e, a cada dia que passa, o trabalho de Luis de la Fuente ganha mais reconhecimento. O que ele conseguiu com a seleção vai além de um simples troféu: foi um verdadeiro ciclo de vitórias, incluindo a Eurocopa de 2024 e o Mundial de 2026, além de um vice na Liga das Nações em 2024/25. Isso mostra o quanto ele conhece bem seu grupo de jogadores e a dinâmica do time.

Recentemente, De la Fuente deu uma entrevista para o “Diário AS”, onde falou sobre a evolução da seleção espanhola e as conquistas que marcaram essa trajetória. Um dos assuntos que surgiram foi uma declaração de Cristiano Ronaldo, que comentou que a Eurocopa de 2016 foi um torneio mais difícil para Portugal do que um Mundial. O “AS” aproveitou para perguntar a De la Fuente o que ele pensava sobre isso.

Ele respondeu de forma clara: “São torneios completamente diferentes. Estamos mais acostumados ao futebol europeu, que é mais próximo do que jogamos. A Copa do Mundo exige uma adaptação, já que enfrentamos seleções de outros continentes, como as africanas e sul-americanas. Por exemplo, sabíamos como seriam os jogos contra o Uruguai e a final contra a Argentina. Cada estilo tem suas características. Nosso foco era jogar da nossa maneira, sem cair nas armadilhas do adversário, pois sabemos que eles são mais habilidosos nesse estilo. Se tentássemos jogar o que não sabemos, provavelmente teríamos um resultado bem negativo.”

A Evolução do Estilo de Jogo

De la Fuente também não deixou de lado as comparações entre as seleções espanholas campeãs do mundo. Durante a preparação para 2026, muitos comentaram sobre as semelhanças entre os dois times, especialmente no que diz respeito à solidez defensiva e ao controle da posse de bola. O treinador destacou que, embora o modelo tenha se mantido, ele evoluiu ao longo dos anos.

“Futebol mudou muito nesses 16 anos. Embora ainda tenhamos um modelo similar, ele se adaptou. Não sou fã de termos como tiki-taka, pois acho que um futebol baseado na posse de bola é mais adequado. O tiki-taka, por vezes, pode ter uma conotação negativa. Porém, essa ideia está profundamente enraizada no futebol espanhol, especialmente nos clubes, e a seleção ajudou a consolidá-la.”

Em um torneio onde a seleção sofreu apenas um gol e saiu campeã, fica claro que a consistência defensiva foi fundamental. De la Fuente explicou que sua equipe teve um desempenho defensivo excepcional. “Concedemos apenas dez finalizações ao gol em todo o torneio, resultado do nosso sistema defensivo bem estruturado. Todos defendem coletivamente. Temos um time equilibrado, que marcou muitos gols e sofreu poucos.”

O Papel da Experiência e da Conexão com os Jogadores

Luis de la Fuente se destaca não apenas pelo seu conhecimento tático, mas também pela conexão que estabeleceu com os jogadores ao longo dos anos. Ele chegou à seleção sub-19 em 2013 e, desde então, passou por todas as categorias de base até chegar ao time principal. Essa trajetória permite que ele conheça bem os atletas convocados.

Durante sua carreira, ele comandou a seleção olímpica que conquistou a medalha de prata em Tóquio em 2021. Oito daqueles jogadores foram fundamentais na conquista do recente bicampeonato mundial. Ao ser questionado sobre a importância dessa familiaridade, De la Fuente foi direto: “Foi crucial. Jogadores como Unai Simón e Mikel Merino são parte da geração que começamos a trabalhar em 2015. Essa conexão foi essencial para o sucesso que tivemos.”

Assim, fica claro que o sucesso da seleção não se deve apenas à técnica em campo, mas também à relação de confiança e conhecimento mútuo que foi construída ao longo do tempo. Isso faz da Espanha uma equipe forte e coesa, pronta para enfrentar os desafios que ainda virão.

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João Ribeiro