Tuchel comete erro maior que Southgate na Inglaterra

A eliminação da Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo de 2026 foi um verdadeiro balde de água fria para os torcedores. Assim como em 2018, o time começou com um bom desempenho, mas acabou recuando e viu a vitória escapar de suas mãos, dessa vez para a Argentina. A estratégia de abdicar da posse de bola, adotada pelo técnico Thomas Tuchel, gerou uma onda de críticas, especialmente quando se compara a situação com o trabalho anterior de Gareth Southgate.

Quando Tuchel assumiu a seleção inglesa no início de 2025, muitos acreditavam que ele seria a resposta para os problemas que a equipe enfrentava nos últimos 60 anos. Afinal, a Inglaterra só conquistou uma grande competição internacional uma vez. Contudo, o que aconteceu na semifinal trouxe à tona velhos fantasmas. O ex-jogador Jamie Carragher, em sua coluna no “The Telegraph”, destacou que as críticas a Tuchel foram intensas e, segundo ele, até mais severas do que as que Southgate enfrentou.

Carragher, que fez história como defensor do Liverpool, argumentou que muitos na imprensa e entre os torcedores estavam iludidos com a ideia de que, se a seleção tivesse um treinador de “reputação mais sólida”, a história poderia ser diferente. Ele lembrou que Tuchel, que levou o Chelsea ao título da Champions League em 2021, era visto como um técnico que não se intimidava e que tinha um estilo de jogo mais agressivo. Mas, na prática, ele também tomou decisões que não ajudaram a Inglaterra em momentos cruciais.

Na análise de Carragher, a equipe inglesa, apesar de ter enfrentado adversários difíceis como Croácia, Itália e França em edições anteriores, teve um desempenho melhor no jogo contra a Argentina. Ele observou que, até a abertura do placar com um gol de Anthony Gordon, a Inglaterra estava bem no jogo. No entanto, a partir do momento em que Tuchel decidiu trocar jogadores ofensivos por defensores, o cenário começou a mudar. A partir de então, a posse de bola da Inglaterra despencou, e a pressão argentina aumentou.

Carragher enfatizou que a escolha de Tuchel em alterar a formação da equipe foi um convite para a Argentina dominar o jogo, especialmente com a presença de um craque como Lionel Messi. Ele criticou a decisão de entrar em um modo defensivo tão cedo, afirmando que, entre o gol da Inglaterra e o empate argentino, a equipe teve apenas 12% de posse de bola. Para ele, não faz sentido se fechar tanto diante de um adversário tão forte.

No final de sua análise, Carragher refletiu sobre o papel da Football Association (FA) na escolha de Tuchel. Ele ressaltou que, apesar de todas as expectativas, o técnico não conseguiu apresentar algo diferente do que Southgate fez. A impressão que fica, segundo ele, é que, independentemente de quem esteja à frente da seleção, parece haver uma tendência de fracasso quando se trata de grandes competições.

A eliminação da Inglaterra deixou um sentimento de frustração, mas também trouxe à tona a discussão sobre o futuro da equipe e o que realmente precisa mudar para que a história não se repita.

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João Ribeiro